quinta-feira, 12 de março de 2020

João Damasceno Ribeiro


João Damasceno Ribeiro

Sabe-se que muitas das antigas famílias com origem na Mata Grande dele descendem, embora pouco lembrem de sua existência. Pela sua grande descendência e as ligações com as grandes famílias da Mata Grande, deve ser considerado como um dos patriarcas da Mata Grande.
Um  seu descendente explicou o nome com que foi batizado, por ter sido conservado pela tradição oral familiar o relato que no momento que o seu pai, num cômodo ao lado, ao ouvir o choro da criança determinou: "veja a folhinha, o santo do dia é o nome da criança", era o dia de São João Damasceno, portanto ele teria nascido em 27 de março, ainda na segunda metade do século XVIII. Os nomes de seus pais e demais informes de sua vida no entanto não foram preservados.  
Ele chegaria nas terras da Mata Grande antes dos Alencar e dos Gomes de Sá, mas como duas das suas filhas foram casadas com Manuel Brandão e Domingos Vieira Júnior, sua descendência é das mais antigas e extensas da Mata Grande.
Os poucos informes que ficaram de João Damasceno Ribeiro é que seria natural ou originário de São Miguel dos Campos, litoral alagoano. Tinha antes de 1800 uma terra chamada Furado. Existe lá um engenho chamado Furado, com outros proprietários, mas sem as informações de quem foram os antigos donos.
Já no século XX, na Mata Grande, ainda existiam vestígios de sua vida, que foram recolhidos por um interessado nas raízes das principais famílias da Mata Grande, e que até agora estavam inéditos, e que aqui transcrevemos, mantendo a originalidade do relato:
"João Damasceno Ribeiro era seu nome, e residiu na Ribeira do Capiá onde era fazendeiro. Veio para ali pelo Município de São Miguel do Campo, num sítio chamado Furado, não sabendo a data em que aqui chegou.Presumivelmente em fins do século atrasado ou começos do passado.
Pai de onze filhos, dos quais cinco eram mulheres, sempre recusou as filhas em casamento aos pretendentes que apareciam, pois para ele eram caboclos os tais pretendentes.
De tal maneira seus conceitos que resolveu mudar-se novamente, indo para bem longe.
Para esse fim fez uma viagem a Ribeira da Brígida, no alto sertão pernambucano, de onde voltou.....dado de terra e trazendo uma..... a qual foi vende-la em Atalaia e lá foi acometido de varíola, morrendo ele e um escravo que o acompanhava.
E assim acabou-se o orgulho de João Damasceno, podendo então casar-se a família com matagrandenses, dando origem a numerosas famílias, algumas das quais das mais ilustres do município"     
Um das raras provas de sua existência é este documento extraído do livro de registros do Registro de Terras de Santana do Ipanema, em 1858, e aqui reproduzido:




"Nº 494
Pedro de Alcantara Ribeiro, é proprietário de terras no Campiá, e no dia vinte e oito d’Agosto demil oito centos e cincoenta e oito apresentou a Nota Nº 494, que abaixo se segue e foi lançada a f 102, e é do theor seguinte: Eu abaixo assignado possuo na Freguesia de Sant’Anna na Ribeira do Campiá da Viuva, d’um e outro lado, uma posse de terras, que me coube por herança de meus finados Pais, João Damasceno e Antonia Maria, e a possuo emcomum com os demais herdeiros, e com os fundos, que existirem. Eu Manuel Soaris Cancio e Mello...........extraído textualmente de uma das Notas, que fica archivada, havendo outra sido entregue a parte. Eu encarregado do Registro subscrevi e asigno. Pe João da Costa Nunes, Vigário Encarregado de Sant’Anna."
Outros registros ligam João Damasceno Ribeiro as terras do Tigre, Cabaços, Capiá e Ilha Grande, que em 1858 pertenciam as terras de Santana do Ipanema.
Com as modernas digitalizações que facilitam a pesquisa decerto que surgirá a oportunidade de pouco a pouco se acrescentarem mais dados para ser possível fazer um estudo mais detalhado das raízes deste e dos outros antigos povoadores cidade da Mata Grande.
O patriarca João Damasceno Ribeiro casou com Antonia Maria, de quem também não se guardou maiores informes e foram pais de:
01 - Luiza Maria da Conceição c.c. Domingos Vieira Júnior, um homem muito abastado, que ao morrer no seu inventário constou 44 propriedades. Entre seus filhos se destaca Pedro Vieira Jr, que por ser solteiro, ficou conhecido como o homem mais rico da Mata Grande e que foi cotado para ser Barão. Fez parte da comitiva que recepcionou o Imperador Pedro II, na viagem pelo Rio de São Francisco. Tiveram cerca de 11 filhos, sendo grande parte documentada.
02 - Antonio de Oliveira Damasceno, residiu no sítio Santa Luzia, faleceu em 1855. Pai, entre outros, do Tenente Coronel João Antônio Ribeiro. Esta família também está bem documentada.
03 - Sebastião Ribeiro, sem nenhuma ligação até os dias de hoje. Uma possibilidade é ter tido filhas, que deram origem a família Pereira da Mata Grande.
04 - Feliciana Maria, casou com Manuel Brandão e são a origem ao ramo Brandão.
05 - Custódia Ribeiro, (os Lemos Ribeiro da Mata Grande são originários dela e da irmã, que segue).
06 - Maria Ribeiro, (os Lemos Ribeiro dela também descendem. Não seria impossível de terem casado com dois irmãos de sobrenome Lemos. Ainda sem ligação documental de duas gerações).
07 - José Pedro Ribeiro, (seus descendentes usam o sobrenome Marques. Seriam descendentes de uma filha chamada Ana Rosa de Jesus que casou com um fulano Marques.  Duas gerações depois se ligam aos Alencar).
08 - Valério da Silva, (morreu em 1860, nada se sabe sobre sua descendência, mesmo se houve).
09 - Francisco dos Anjos, (seus descendentes usam o sobrenome Oliveira e Ferreira).
10 - Ana Damasceno Ribeiro, (casou em Santana do Ipanema). Podemos destacar o extenso ramo que deles foi originado e radicou-se em Pão de Açúcar, do qual fazem parte o poeta João Vieira Damasceno Ribeiro e os pastores Odilon e Daniel Damasceno Ribeiro de Moraes).
11 - Pedro de Alcântara Ribeiro, (origem dos Alcântara e dos Brandão de Alcântara, ramos bem documentados e com vários descendentes conhecidos).

MUSEU DARRAS NOYA