João Damasceno Ribeiro
Sabe-se
que muitas das antigas famílias com origem na Mata Grande dele descendem,
embora pouco lembrem de sua existência. Pela sua grande descendência e as
ligações com as grandes famílias da Mata Grande, deve ser considerado como um
dos patriarcas da Mata Grande.
Um seu descendente explicou o nome com que foi
batizado, por ter sido conservado pela tradição oral familiar o relato que no
momento que o seu pai, num cômodo ao lado, ao ouvir o choro da criança
determinou: "veja a folhinha, o santo do dia é o nome da criança", era
o dia de São João Damasceno, portanto ele teria nascido em 27 de março, ainda
na segunda metade do século XVIII. Os nomes de seus pais e demais informes de
sua vida no entanto não foram preservados.
Ele
chegaria nas terras da Mata Grande antes dos Alencar e dos Gomes de Sá, mas
como duas das suas filhas foram casadas com Manuel Brandão e Domingos Vieira
Júnior, sua descendência é das mais antigas e extensas da Mata Grande.
Os
poucos informes que ficaram de João Damasceno Ribeiro é que seria natural ou
originário de São Miguel dos Campos, litoral alagoano. Tinha antes de 1800 uma
terra chamada Furado. Existe lá um engenho chamado Furado, com outros
proprietários, mas sem as informações de quem foram os antigos donos.
Já
no século XX, na Mata Grande, ainda existiam vestígios de sua vida, que foram
recolhidos por um interessado nas raízes das principais famílias da Mata
Grande, e que até agora estavam inéditos, e que aqui transcrevemos, mantendo a
originalidade do relato:
"João
Damasceno Ribeiro era seu nome, e residiu na Ribeira do Capiá onde era
fazendeiro. Veio para ali pelo Município de São Miguel do Campo, num sítio
chamado Furado, não sabendo a data em que aqui chegou.Presumivelmente em fins
do século atrasado ou começos do passado.
Pai
de onze filhos, dos quais cinco eram mulheres, sempre recusou as filhas em
casamento aos pretendentes que apareciam, pois para ele eram caboclos os tais
pretendentes.
De
tal maneira seus conceitos que resolveu mudar-se novamente, indo para bem
longe.
Para
esse fim fez uma viagem a Ribeira da Brígida, no alto sertão pernambucano, de
onde voltou.....dado de terra e trazendo uma..... a qual foi vende-la em
Atalaia e lá foi acometido de varíola, morrendo ele e um escravo que o acompanhava.
E
assim acabou-se o orgulho de João Damasceno, podendo então casar-se a família
com matagrandenses, dando origem a numerosas famílias, algumas das quais das
mais ilustres do município"
Um
das raras provas de sua existência é este documento extraído do livro de
registros do Registro de Terras de Santana do Ipanema, em 1858, e aqui
reproduzido:
"Nº
494
Pedro
de Alcantara Ribeiro, é proprietário de terras no Campiá, e no dia vinte e oito
d’Agosto demil oito centos e cincoenta e oito apresentou a Nota Nº 494, que
abaixo se segue e foi lançada a f 102, e é do theor seguinte: Eu abaixo
assignado possuo na Freguesia de Sant’Anna na Ribeira do Campiá da Viuva, d’um
e outro lado, uma posse de terras, que me coube por herança de meus finados
Pais, João Damasceno e Antonia Maria, e a possuo emcomum com os demais
herdeiros, e com os fundos, que existirem. Eu Manuel Soaris Cancio e Mello...........extraído
textualmente de uma das Notas, que fica archivada, havendo outra sido entregue
a parte. Eu encarregado do Registro subscrevi e asigno. Pe João da Costa Nunes,
Vigário Encarregado de Sant’Anna."
Outros
registros ligam João Damasceno Ribeiro as terras do Tigre, Cabaços, Capiá e
Ilha Grande, que em 1858 pertenciam as terras de Santana do Ipanema.
Com
as modernas digitalizações que facilitam a pesquisa decerto que surgirá a
oportunidade de pouco a pouco se acrescentarem mais dados para ser possível fazer
um estudo mais detalhado das raízes deste e dos outros antigos povoadores
cidade da Mata Grande.
O
patriarca João Damasceno Ribeiro casou com Antonia Maria, de quem também não se
guardou maiores informes e foram pais de:
01
- Luiza Maria da Conceição c.c.
Domingos Vieira Júnior, um homem muito abastado, que ao morrer no seu
inventário constou 44 propriedades. Entre seus filhos se destaca Pedro Vieira
Jr, que por ser solteiro, ficou conhecido como o homem mais rico da Mata Grande
e que foi cotado para ser Barão. Fez parte da comitiva que recepcionou o
Imperador Pedro II, na viagem pelo Rio de São Francisco. Tiveram cerca de 11
filhos, sendo grande parte documentada.
02
- Antonio de Oliveira Damasceno,
residiu no sítio Santa Luzia, faleceu em 1855. Pai, entre outros, do Tenente
Coronel João Antônio Ribeiro. Esta família também está bem documentada.
03
- Sebastião Ribeiro, sem nenhuma
ligação até os dias de hoje. Uma possibilidade é ter tido filhas, que deram
origem a família Pereira da Mata Grande.
04
- Feliciana Maria, casou com Manuel
Brandão e são a origem ao ramo Brandão.
05
- Custódia Ribeiro, (os Lemos
Ribeiro da Mata Grande são originários dela e da irmã, que segue).
06
- Maria Ribeiro, (os Lemos Ribeiro
dela também descendem. Não seria impossível de terem casado com dois irmãos de
sobrenome Lemos. Ainda sem ligação documental de duas gerações).
07
- José Pedro Ribeiro, (seus
descendentes usam o sobrenome Marques. Seriam descendentes de uma filha chamada
Ana Rosa de Jesus que casou com um fulano Marques. Duas gerações depois se ligam aos Alencar).
08
- Valério da Silva, (morreu em 1860,
nada se sabe sobre sua descendência, mesmo se houve).
09
- Francisco dos Anjos, (seus
descendentes usam o sobrenome Oliveira e Ferreira).
10
- Ana Damasceno Ribeiro, (casou em
Santana do Ipanema). Podemos destacar o extenso ramo
que deles foi originado e radicou-se em Pão de Açúcar, do qual fazem parte o poeta
João Vieira Damasceno Ribeiro e os pastores Odilon e Daniel Damasceno Ribeiro
de Moraes).
11
- Pedro de Alcântara Ribeiro, (origem
dos Alcântara e dos Brandão de Alcântara, ramos bem documentados e com vários
descendentes conhecidos).
